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Amanhecer na Serra Grande (Livreto)

Hoje é um dia especial para compartilhar com vocês o lançamento de Amanhecer na Serra Grande , o primeiro volume da série Caminhos do Interior . Esta obra é um convite para explorar as profundezas da alma humana e sua conexão intrínseca com a natureza, em particular com a majestosa região de Roraima. A narrativa começa em uma manhã tranquila, onde Iramari, filho do velho Kanarim, busca por respostas para suas inquietações por meio de um diálogo que ecoa o silêncio da serra e o movimento das nuvens. Cada página é uma oportunidade de contemplar a simplicidade que revela a grandeza da vida. O livro reflete vivências profundamente enraizadas na região da margem leste do rio Branco e costura temas universais como medo, coragem, paz interior e harmonia. Kanarim, com sua vivência humilde, nos lembra que as lições mais importantes da vida não vêm de respostas, mas do aprendizado paciente com a natureza e com o ciclo da existência. Espero que este livro inspire você a desacelerar, ouvir os vent...

Doeu tanto, que nem senti direito


Doeu tanto, que nem senti direito

Ouvir-te dizer - eu te mato! 
Tão distante, após ser desamparado
Ái! Doeu tanto, que nem senti direito
Esse foi o Primeiro ato.

- Filho meu não é preto, dissestes.
Preto, tu és, de outro e sem retrato.

Oh, Deus que estás no céu! Pensei,
Sou infante, sou pueril, sou teu filho e sou grato!

Hei de viver sem pai? Indaguei
Todos os pais do mundo, agora herdei?

Ouvir-te dizer - eu te amo!
Tão distante, após ser desamparado
Ái! Doeu tanto, que nem senti direito
Esse foi o Segundo ato.

- Filho meu, essa dor em ti, quem tomou foi eu.
Já não posso viver aí contigo, mas vive tu em pensamento meu

Oh, Deus que estás no céu! Pensei,
Sou infante, sou pueril, sou teu filho e sou grato!

Hei de viver sem mãe? Indaguei
Todas as mães do mundo, agora herdei?

Não saber dizer - eu te amo!
Tão distante, após ter te desamparado
Ái! Doeu tanto, que nem senti direito
Esse foi o Terceiro ato.

- Amor meu, morrestes antes de nascer.
Vives tu, agora, desvairado, sempre procurando renascer?

Oh, Deus que estás no céu! Pensei,
Sou adulto, sou maduro, sou teu filho e fui ingrato!

Hei de viver sem amor? Indaguei
Todos os amores do mundo, agora herdei?

Ontem lembrei, eu cá cheio de pai, cheio de mãe e cheio de amor
Talvez possa até não doer, pois estou cheio de tudo, menos da vontade de viver

Hoje pensei, eu cá com pouco de pai, pouco de mãe e pouco de amor
O que mais quero é viver, mesmo que um pouco de mim, em cada esquina deixei morrer

Oh, Deus que estás no céu! Pensei,
Sou homem, sou falho, sou teu filho e sou grato!

Quem diria, preto e sem retrato, 
Também todo louco e alucinado,
Desasseado mal amado, abandonado.
Cheio do amor, no peito, transbordado.

Pensando além do bem e do mau, coitado!

Foi quando ouvi dizer o vento:
Sozinho, não estais.
Por Deus, és, mesmo que duvidais,
Filho dos muitos e também amado!
Ainda que poeta, sem rima e desatento.

por Janderson Gomes,
Reflexões em 15 de Julho de 2024.




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